Rio de Janeiro teve a mais violenta ação da Polícia – Será que foi isso mesmo?

Amigo(a) Leitor(a), é muito provável que você tenha se deparado com notícias acerca da ação policial que o Rio de Janeiro teve ontem (06), da qual resultou em 25 mortes, 10 presos e 5 feridos.  Como era de se esperar, não houve demora em se alardear ‘as barbaridades e atrocidades cometidas pela polícia carioca’, sendo realizadas ‘ao arrepio’ de uma ordem do STF que proibia ações policiais durante a pandemia.

Antes de prosseguir com a leitura, depois desse breve relato, vamos fazer um exercício de respiração.  Inspire, expire, inspire, expire, mais uma vez inspire, expire.  Ótimo. Não é fácil ler absurdos e ainda manter a calma, né!

Primeiro eu quero deixar destacado que eu não sou um especialista em Segurança Pública (assim como nenhum sociólogo é!), essa especialização é única e exclusiva de profissionais que lidam diariamente com a Segurança Pública, tais como: policiais militares, policiais civis, bombeiros e talvez um ou outro promotor de justiça de vara criminal.  Mas, nem jornalista e nem sociólogo são!  Que isso fique bem claro.  Logo, minha narrativa abaixo vem de um observador e questionador atento que não corre para apontar o dedo imputando a culpa a quem quer que seja.

Vamos lá, é sabido que a situação da segurança pública no Rio de Janeiro é uma verdadeira catástrofe há décadas!  Não houve trégua nem mesmo no período chamado de ‘anos de chumbo’ (1968 – 1978), mas obviamente não era o esculacho que se está atualmente.

Um grande problema que ocorre no Rio de Janeiro, segundo meu entendimento, é que o Estado Fluminense e também a União não enxergam a situação como ela é, a de que os fluminenses, e em especial os cariocas, vivem uma verdadeira Guerra Civil encabeçada pelo crime organizado que vive do tráfico de drogas, roubos e outros crimes.  E que não se vai para a guerra declamando poesia, vai-se para o enfrentamento com igual poder de fogo ou superior.

Ocorre que aquele tipo de bandido não usa canivete, faca ou ‘trezoitão’.  É fuzil, submetralhadora, pistola com dispositivo de rajada, granada e pasmem, encontraram até um obus (que erroneamente alguns da imprensa chamaram de míssil).

Sobre a operação Exceptis

O resultado da operação desenrolada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro foi o abate de 24 ‘suspeitos’ (que segundo o delegado responsável pela operação eram ligados ao crime), foram apreendidas 16 pistolas automáticas, 1 submetralhadora, 6 fuzis, 12 granadas, 1 carabina calibre 12, 1 obus, além de 10 ‘suspeitos’ presos, e infelizmente 1 policial morto e 5 cidadãos feridos.  Só por esse ponto inicial, não creio que essa operação possa ser chamada de desastrosa, como alguns veículos de mídia estão dizendo.

Armamento apreendido no Morro do Jacarezinho durante a operação Exceptis

É importante dizer que o crime, nesse caso específico da operação, tem como sua área de domínio o MORRO.  O morro é um ponto estratégico e crucial que, quem detém o seu domínio, já começa um confronto em superioridade por alguns motivos, dentre eles: a visão geral e ampla do terreno, a visão da movimentação do inimigo, a facilidade do tiro (a gravidade atua favoravelmente para quem atira de cima para baixo) e além de tudo isso, o atirador do morro está parado e não se movimentando carregando carga.  Esse tipo de situação é chamada no Exército de COMANDAMENTO.  Logo, quem tinha uma certa superioridade de campo eram os bandidos.

A incursão policial tinha por objetivo prender criminosos que estavam aliciando crianças para a entrada no crime, para fazer a linha de frente, o confronto direto contra a polícia.  Crianças com 12, 13, 14 anos de idade, que estariam portando fuzis pendurados no pescoço e com pistolas automáticas na cintura, sentindo-se os mais poderosos do mundo, destemidos, prontos para cometer qualquer barbaridade, praticar crimes dos mais diversos: assalto, homicídio, estupro, tráfico, etc.  Esse era o objetivo primário.

Ao chegar no morro a polícia foi recebida a tiros e reagiu à injusta agressão.  Isso, ao meu modo de ver se assemelha mais à uma legítima defesa da própria vida e não com uma chacina, como alguns veículos de comunicação com uma redação inclinada à tendência de esquerda querem impor.  Até porquê, ‘chacina’ é um termo técnico, uma definição que só pode ser admitida após uma investigação, o que se sabe até o momento, é que foram mortes decorrentes de confronto com a polícia.  Morte suspeita?  Pode ser.

O morro do Jacarezinho, como outros daquela região, é dominado por uma facção criminosa que impõe um império de terror e dominação contra quem lá vive.  Formam um governo paralelo baseado no medo, na ameaça, em execuções sumárias por qualquer motivo, em ações de tráfico, etc.  É óbvio que nos morros têm mais gente de bem do que bandidos e eu não estou falando contra isso.  Tenho o mesmo entendimento.  Entretanto, gente de bem não confronta a polícia, não anda armada com pistola, fuzil ou granada (veja a foto desse artigo para tirar sua dúvida).

O que eu quero atingir com esse artigo de opinião, não é tecer qualquer tipo de julgamento, porque eu também não sou juiz.  Meu objetivo é o de trazer até você que me lê, nesse momento, pontos que o façam refletir, questionar, buscar outras fontes de informação e não acreditar na primeira notícia que ler, sem encontrar outras versões e sobretudo sem pensar muito a respeito.

Apontar o dedo, acusar, rotular é fácil.  E há muito que no Brasil há uma inversão de valores, onde o bandido é visto como ‘vítima da sociedade’ e a polícia é tida como uma instituição bárbara e monstruosa.  Reflita antes de acusar, pense sobre todas as óticas, identifique quem na verdade representa o mal para a sociedade e por fim pense em quem você gostaria que estivesse do seu lado na hora que precisasse de um socorro.  Será que você optaria pelo meliante com um fuzil pendurado no pescoço?

Então, primeiro informe-se.  Depois, atualize-se dos fatos conforme houver a divulgação dos dados da investigação.  Se for emitir opinião, não faça-a no calor do momento, reflita e analise bem todos os pontos.

Era isso o que eu tinha a considerar.

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Conteúdo adicionado às 12h59 – 07/05/21:

O nome do policial morto pelo crime é André Frias, ele tinha 48 anos, foi morto atingido na cabeça por um disparo de fuzil, era casado desde 2018, estava na polícia havia 8 anos, e deixou um enteado de 10 anos e uma mãe enferma, que está acamada em decorrência de AVC.

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