A reta final de Bruno Covas

O Prefeito licenciado de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), recebeu a notícia que nenhum paciente que luta contra o câncer ou outra doença grave quer receber: não há mais o que ser feito pela medicina.  Trocando em miúdos, essa foi a notícia levada pelos médicos a Covas e seus familiares na noite de ontem ao afirmarem que seu quadro clínico é irreversível.

Bruno Covas Lopes, tem 41 anos, é advogado, economista, político e neto do ex-Governador de São Paulo  Mário Covas, correligionário morto em 2001 vítima de um câncer na bexiga.

Boletim médico divulgado na noite desta sexta-feira (14) afirma que o seu quadro clínico é “irreversível”.  Covas está internado no Hospital Sírio-Libanês, recebendo analgésicos e sedativos.  O boletim é assinado pelos médicos Luiz Francisco Cardoso e Ângelo Fernandez, diretores do hospital.

Covas está acompanhado da equipe médica e dos seus familiares. O secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, define a situação como “dramática”.  Os tratamentos oferecidos a partir de agora são paliativos, para alívio das dores, trazendo algum conforto para que tenha uma morte dignam não mais o que se possa fazer.

Há cinco dias, Bruno Covas fez uma publicação otimista no Instagram:

“Continuo a lutar aqui no Hospital. Sem baixar a cabeça e sem perder minha motivação. Muita Força, Foco e Fé. E espero logo estar junto de vocês para agradecer por todo carinho. Feliz Dia das Mães e Bom domingo!”, disse.

A trajetoria política de Bruno Covas

A sua carreira começou em 2004, ano que que se candidatou a vice-prefeito de Santos na chapa de Raul Christiano pelo PSDB.

Nos anos de 2005 e 2006, foi assessor da liderança dos Governos de Alckmin e Cláudio Lembo na Assembleia Legislativa.

Em 2006, foi candidato a deputado estadual, sendo eleito com 122 312 votos, umas das maiores votações naquela eleição.

Em 2010, foi novamente candidato a Deputado Estadual agora sendo o mais votado do Estado com 239 150 votos, sendo mais de 131 mil só na capital paulista. Bruno Covas foi convidado por Geraldo Alckmin para assumir a Secretaria do Meio Ambiente a partir do início de 2011, ocasião em que se licenciou do cargo de deputado estadual. Ficou no cargo até abril de 2014, quando foi exonerado para disputar as eleições naquele ano.

Foi eleito deputado federal nas eleições em 2014, para a 55.ª legislatura (2015-2019). Votou a favor do Processo de impeachment de Dilma Rousseff. Já durante o Governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos.

Em 2016 foi eleito em primeiro turno vice-prefeito de São Paulo pelo PSDB na chapa de João Doria em disputa contra a reeleição de Fernando Haddad, e tendo dentre outros nomes na corrida pela prefeitura paulistana Luiza Erundina, Celso Russomano, Marta Suplicy, Major Olímpio e Ricardo Young.

Assumiu a prefeitura em 2018, quando o então Prefeito João Doria licenciou-se para disputar o Governo do Estado, sendo eleito em uma disputa acirrada contra Márcio França no segundo turno.  Em 2020 candidatou-se à reeleição e foi escolhido para continuar a gestão da capital paulistana, tendo como principal opositor Guilherme Boulos.

Quem é Ricardo Nunes?

Ricardo Nunes tem 53 anos, é advogado, empresário e filiado ao MDB. Foi vereador em São Paulo por duas vezes (eleito em 2012 e 2016) antes de chegar ao cargo de vice-prefeito de Bruno Covas (PSDB). Tem ligações fortes com a Igreja Católica — enquanto vereador, trabalhou para regularizar templos religiosos — além de empresários. Na sua atividade na Câmara de Vereadores, foi participante de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), como a dos bancos, que investigava a sonegação de impostos.

Sua candidatura a vice-prefeito está ligada à coalizão entre PSDB, MDB e DEM, em uma articulação política do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para, eventualmente, conseguir o apoio do MDB em 2022.

Durante a campanha de Covas, acusações de violência doméstica vieram à tona em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, que foram posteriormente desmentidas por ele e pela esposa, além de possíveis ligações com a “máfia das creches”, também expostas pelo mesmo jornal. Antes disso, ganhou notoriedade na mídia por ser ativamente contra a inclusão de temas de sexualidade e gênero no Plano de Educação da capital paulista.

Ricardo Nunes ocupa interinamente o cargo de Prefeito da Capital Paulista desde 02 de maio, por motivos de afastamento de Bruno Covas para tratar de câncer.