A “despiora” e os seus inúmeros prejuízos ao Brasil

A pandemia de Covid-19, que insiste em não perder o ímpeto por motivos sanitários, políticos e ideológicos, trouxe graves consequências para o poder nacional nas suas cinco expressões, que são a política, a econômica, a psicossocial, a militar, e a científico e tecnológica. As consequências econômicas foram imediatas e demandarão tempo, trabalho e ações conjuntas para serem superadas, tendo em vista a complexidade que caracteriza vários de seus aspectos tais como o sistema e a circulação econômicos, os processos de produção e as inserções internacionais dentre outros.

Eis que o Brasil, neste ano de 2021, inserido no contexto de dúvidas e prognósticos totalmente desfavoráveis para a economia global, passa a apresentar números que mostram uma considerável e surpreendente recuperação econômica, fato que fez com que os analistas internacionais concluíssem que o país já atingiu os índices econômicos do período imediatamente anterior à eclosão da pandemia de Covid-19.

A imprensa internacional divulgou com destaque esta rápida recuperação econômica do Brasil; por outro lado reinou um silêncio constrangedor e sepulcral nos grandes veículos de comunicação brasileiros, que insistiram em não dar o devido destaque a este feito, que é fruto do incansável trabalho de todo povo brasileiro e não apenas do governo federal.

Criticar governos é uma realidade e uma das eternas e imutáveis características da imprensa do mundo todo, mas no Brasil, a partir do dia 1º de janeiro de 2019, a grande mídia especializou-se em minimizar, omitir ou distorcer fatos considerados positivos e maximizar, destacar e aprofundar a divulgação de notícias que, pela sua visão, servem para desgastar o governo federal.

A atual recuperação econômica do Brasil e a constante e ferrenha oposição promovida diariamente pela grande imprensa brasileira contra o governo federal, pode ser sintetizada na matéria assinada pelo jornalista Vinicius Torres Freire, que no último dia 9 de junho de 2021 foi veiculada pelo jornal Folha de São Paulo, considerado um dos maiores veículos de comunicação do Brasil.

O título da matéria estampa a seguinte frase: “Economia dá mais sinais de despiora”, e na sequência, o subtítulo: “Vendas no comércio crescem além do esperado, mercado financeiro anda mais calmo”. A colocação desta palavra, que não é usual na Língua Portuguesa, causou muitos debates nas redes sociais sobre a sua interpretação e até se ela realmente existe. Levando-se em consideração que conceituados dicionários brasileiros da Língua Portuguesa como Houaiss, VOLP e Aurélio não registram o verbo “despiorar” ou a sua conjugação “despiora”, chega-se à conclusão que o termo não é comum e não é empregado na Língua Portuguesa falada no Brasil.

De acordo com o professor Pablo Jamilk o referido termo existe e consta no dicionário Priberam, que é editado em Portugal, e desta forma o seu uso é mais comum na Língua Portuguesa falada naquele país. É formada pela colocação do prefixo “des” antes do verbo “piorar”, e lá tem por definição “tornar ou ficar menos mau ou menos mal”, o que para os portugueses não equivale a melhorar, já que transmite a ideia de parar de piorar, ou piorar menos.

Para adequar o controverso termo no título de sua chamativa, e hoje famosa matéria, o renomado jornalista brasileiro equilibrou-se na tênue linha que separa a criatividade genial de quem domina a arte de escrever da pouca inspiração dos que maltratam o idioma imortalizado por Camões, e definido por Olavo Bilac como “A última flor do Lácio, inculta e bela”. O teor do título e do conteúdo da matéria repercutiram negativamente e como consequência os leitores talvez tenham considerado que o autor não tratou a Língua Portuguesa falada no Brasil com o esmero de quem tem uma vasta formação acadêmica.

Os prejuízos da matéria e seu título são consideráveis e podem ser constatados nos aspectos político-ideológico, educacional e de informação e opinião pública. Sempre levando em consideração a ideia que o autor pretendeu transmitir e aquela que realmente chegou ao leitor, através da sua compreensão individual.

No aspecto político-ideológico, a matéria foi uma tentativa de causar prejuízos na governabilidade e na política interna, podendo caracterizar-se como mais um dos inúmeros ataques coordenados realizados pelos grandes veículos de comunicação do Brasil no seu intenso combate ao governo federal.  Ideologicamente alinhada à esquerda, que felizmente foi tirada do poder pela via democrática, após exercer quatro mandatos presidenciais que priorizaram as ideias do fracassado socialismo, em detrimento dos interesses nacionais, a quase totalidade dos grandes veículos de comunicação brasileiros e seus jornalistas, sejam os mais experientes ou aqueles que dão os primeiros passos na profissão, segue o previsível roteiro de ocultar ou dar pouco destaque para realizações, atos e fatos positivos do governo federal e realçar excessiva e exageradamente as notícias que julgam ter a capacidade de causar-lhes danos. Tudo com o objetivo de contribuir para o retorno da esquerda ao poder, fato que seria um autêntico e desastroso retrocesso para a democracia brasileira.

Esta contundente ação da imprensa, que não dá trégua ao governo federal, foi praticamente nula entre 1º de janeiro de 2003, data da posse de Lula como Presidente da República em seu primeiro mandato, até 31 de agosto de 2016, data do merecido e tardio impeachment de Dilma Rousseff, que mergulhou o Brasil no precipício de uma crise econômica que poderia não existir, exceto pela notória incompetência administrativa daquela que à época tinha a prerrogativa de usar a Faixa Presidencial.

No aspecto educacional, podemos afirmar que ela causou um grande prejuízo, já que mesmo indiretamente, as notícias veiculadas pela grande mídia são capazes de direcionar as pessoas para um determinado modo de escrever. Deve ser considerado que o termo despiora não é um bom exemplo para quem busca praticar uma correta ortografia; a sua repentina aparição contribuiu para agravar as deficiências enfrentadas pela educação brasileira, que não foram atenuadas nos desastrosos governos petistas, onde o primeiro mandatário bradava ter orgulho do fato de ser o primeiro Presidente da República a não ter diploma de nível superior, usando o seu exemplo como incentivo à falta de estudo e de preparo intelectual; e a segunda mandatária, a gestora do triste e irônico slogan “Pátria Educadora” angariou uma constrangedora fama por suas confusas, e às vezes indecifráveis frases de efeito.

Infelizmente, desde o início da década de 1980, o Brasil deixou de priorizar o ensino público. Hoje as escolas municipais e estaduais estão defasadas material e tecnologicamente em relação às escolas da iniciativa privada, com infraestrutura e instalações precárias e deficientes; os professores são mal remunerados e ensinam a alunos pouco motivados em relação ao processo ensino-aprendizagem. Uma grande massa de estudantes brasileiros termina o ensino médio no ensino público, e de lá não traz os conhecimentos básicos da Língua Portuguesa, tão necessários para a confecção de uma redação e para a interpretação de um texto; também encontram sérias dificuldades para a realização das quatro operações básicas da Matemática, ciência que é a base para o desenvolvimento tecnológico de uma nação. Infelizmente este é o legado petista para a educação brasileira.

Não é difícil imaginar o resultado da redação de um jovem que realiza o ENEM e os vestibulares das mais concorridas universidades estaduais ou federais do Brasil, caso empregue o termo despiora na elaboração do seu texto, tendo como inspiração o título da matéria em foco. Este é um clássico exemplo a não ser seguido e que ilustra o ditado que diz que as pessoas devem aprender com os erros dos outros.

No aspecto da informação e opinião pública, fica muito claro que o objetivo do título da matéria é descaracterizar uma notícia claramente positiva e importante para o Brasil, bem como contribuir para que a opinião pública condene as ações do governo federal no tocante à condução da política econômica e os seus resultados. A palavra piora transmite a ideia de algo que é ruim, e mesmo que sutilmente disfarçada pelo termo despiora, ela é incutida no subconsciente do leitor na tentativa dar destaque negativo a uma notícia de caráter eminentemente positivo.

Esta estratégia é habilmente utilizada para introduzir na mente do leitor que a piora, subliminarmente citada, sobrepõe-se à melhora da economia. Salienta-se que o referido jornalista é reincidente no emprego do controverso tema, pois em 25 de junho de 2020 escreveu matéria com o título: “Bolsonarismo perde, Bolsonaro ganha”, na sequência o subtítulo: “Militância é podada, auxílio e despiora econômica mantêm o prestígio mínimo do governo”. Nesta matéria, que também foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo, o jornalista, entre outras coisas, cita que o Brasil atravessava um momento de calamidade econômica que tenderia a piorar, principalmente por causa do que ele chamou de “confinamentos causados pela pandemia de Covid-19”.

O leitor foi habilmente conduzido a crer que o agravamento da crise econômica, citado pelo jornalista, era de total responsabilidade do governo federal e do Presidente da República, pois o nome deste estava constantemente atrelado ao fenômeno citado no conteúdo da matéria. Deve ser dado o devido destaque ao prognóstico totalmente sombrio que o jornalista fez sobre o futuro da economia brasileira para depois de outubro de 2020, e que felizmente são materializou-se para felicidade e esperança do povo brasileiro e uma certa dose de decepção para outros.

Empregar uma palavra não utilizada na Língua Portuguesa falada Brasil e que é usual apenas em Portugal pode caracterizar uma tentativa para desmerecer uma notícia muito animadora e tentar repercuti-la negativamente. Neste caso, o uso do termo despiora distorceu a informação. Os concludentes do curso de Jornalismo proferem um belo juramento na cerimônia de colação de grau, cujo texto é o seguinte: “Prometo, no exercício da profissão de jornalista, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação e empenhar todos os meus atos e palavras, meus esforços e meus conhecimentos para a construção de uma nação consciente de sua história e de sua capacidade. Prometo ainda, não omitir, não mentir e não distorcer informações, não manipular dados e, acima de tudo, não subordinar em favor de interesses pessoais o direito do cidadão à informação”.

Após a leitura deste texto artigo, a compreensão do texto do Juramento do Jornalista é de caráter individual. Na sequência que seja feita a comparação entre o que foi interpretado e a realidade praticada pela grande imprensa brasileira. Que os leitores reflitam se a maioria dos jornalistas brasileiros segue os ditames do compromisso da profissão abraçada.

O uso do termo despiora, que é inexistente na Língua Portuguesa falada no Brasil, e que não consta nos dicionários brasileiros, em detrimento do emprego da correta e existente palavra melhora, é uma amostra de uma imprensa que está a ”desserviço” do Brasil.

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