Boxe: Beatriz Ferreira na semifinal e Abner Teixeira é bronze

Exibição espetacular da boxeadora baiana que derrotou Raykhona Kodirova (Uzbequistão) nas quartas de final. A campeã mundial não quis deixar nenhuma dúvida quanto a quem era a mais forte e atacou uma e outra vez Kodirova, que acabou pedindo a hora tal foi a superioridade da brasileira

Por 5-0 e com os juízes dando clara vantagem para Beatriz Ferreira, incluindo o juiz argentino que pontuou 30-26, há mais uma medalha garantida para o boxe brasileiro naquela que será uma das melhores campanhas Olímpicas do esporte. Bia tem, no mínimo, o bronze garantido já que no boxe não há combate pelo bronze e os semifinalistas recebem a medalha automaticamente.

“Uma adversária difícil. Foi uma luta que eu sabia que tinha que me posicionar melhor, tinha que me colocar mais, tinha que ir pra cima. Estou preparada para o que for, trabalhei cinco anos para isso.”

Beatriz Ferreira para a Globo.

No caminho da campeã mundial está agora a veterana Mira Potkonen (Finlândia), medalha de bronze na Rio 2016 e bicampeã europeia.

Beatriz Ferreira em ação nas quartas de final do peso-leve em Tóquio 2020
Beatriz Ferreira em ação nas quartas de final do peso-leve em Tóquio 2020 Foto: Wander Roberto/COB
A nova potência contra um clássico do boxe

Em seis edições desde a estreia do boxe no programa Olímpico – em Paris 1904 – a nação dominadora foi Cuba. Até Tóquio 2020 podíamos contabilizar 37 títulos Olímpicos e um total de 73 medalhas, a segunda melhor performance global atrás dos EUA.

O duplo confronto Brasil-Cuba no boxe masculino colocou frente a frente a nova potência contra um clássico do boxe.

O primeiro combate opôs Wanderson de Oliveira a Andy Cruz, na categoria de peso-leve (57-63kg). O primeiro round caiu 3-2 para o cubano, mas mostrou que o Shuga, como é conhecido Wanderson de Oliveira no projeto social Luta Pela Paz, no Complexo da Maré (RJ), ia fazer o cubano suar. Foi um combate dividido, mas Andy Cruz foi mais eficaz nos dois últimos rounds avançando para a semifinal por decisão dividida por 4-1.

No principal combate da noite para o boxe brasileiro estava em jogo a passagem à final do peso-pesado (81-91kg) para Abner Teixeira. O rival foi o cubano Julio la Cruz, medalha de ouro na Rio 2016 na categoria de meio-pesado, subindo de categoria no atual ciclo Olímpico.

“La Sombra” ganhou o primeiro round. O atleta de Santo Amaro (SP) entrou conservador na semifinal, mas jamais baixou os braços e entrou no terceiro round perdendo por 20-18, precisando virar o combate. Isso não aconteceu e Abner Teixeira caiu por 4-1 contra um rival mais experiente.

“Ninguém gosta de perder. Treino para não acontecer isso, mas infelizmente aconteceu. Estou feliz pelo fato de ser medalhista, vim aqui ser medalhista. É a realização de um sonho, não só participei de uma Olimpíada, mas ganhei medalha (…) Mês que vem eu tenho o Mundial Militar em Moscou, já vou treinar pra isso. E em outubro eu tenho o campeonato mundial, que é outra meta minha, ser campeão mundial.”

Abner Teixeira para a Globo.

Os próximos combates dos brasileiros em Tóquio 2020 serão:

  • Beatriz Ferreira vs Mira Potkonen (Finlândia) | Semifinal dia 5 de agosto às 2:15 (horário de Brasília)
  • Hebert Sousa vs Gleb Bakshi (Comitê Olímpico Russo) | Semifinal dia 5 de agosto às 3:18 (horário de Brasília)

Momentos marcantes do boxe Olímpico brasileiro:

  • Cidade do México 1968: Servílio de Oliveira ganhou a primeira medalha, um bronze em peso-mosca
  • Londres 2012: Adriana Araújo medalha de bronze em peso-leve na estreia do boxe feminino nos Jogos Olímpicos
  • Londres 2012: Yamaguchi Falcão medalha de bronze em meio-pesado
  • Londres 2012: Esquiva Falcão medalha de prata em peso-médio
  • Rio 2016: Robson Conceição, em peso-leve, tornou-se o primeiro campeão Olímpico brasileiro
  • Tóquio 2020: Abner Teixeira medalha de bronze em peso-pesado