E se apenas houvesse a terceira via?

O monopólio das pesquisas de opinião, das manchetes e das rodas de discussões coloca Lula e Bolsonaro como as duas maiores chances de vencerem as eleições de 2022.
É como um embate final. Após impeachment de Dilma e ascensão da direita ao poder, e muitas manifestações de rua nesse meio tempo, os brasileiros tomarão uma decisão. Estamos, de modo geral, antecipando todo o processo eleitoral que costumeiramente se dá no segundo turno.
Os dados estão colocados. De fato, se as eleições fossem hoje há apenas duas candidaturas com fôlego para construir maiorias necessárias e credenciarem ao segundo turno: O PT, com Lula, e a candidatura à reeleição, com Bolsonaro. Nenhum outro candidato furou o bloqueio, embora os índices de rejeição sejam generosos com os demais, e cruéis com Lula e Bolsonaro, as intenções de votos são pífias para Ciro Gomes, João Dória, Eduardo Leite, João Amoêdo e Luiz Mandetta.
Pífias, ao menos, por enquanto. Há muita estrada até outubro de 2022, reviravoltas são regra e não exceção quando se trata de política brasileira. Então, se pudéssemos fingir, por um instante, que Lula e Bolsonaro são cartas fora do baralho: para onde os brasileiros correriam?
Nomes mais fortes
Ciro Gomes (PDT) – Até o momento, o nome mais sólido da terceira via. Já é consenso no partido, presença constante em veículos de comunicação e equipe de marketing está em ritmo de trabalho. Permanece em um confortável terceiro lugar nas pesquisas, e nas simulações de segundo turno alcança bons números. Receberia os votos de eleitores da esquerda (Que votam em Lula) e também de setores centristas, já que o candidato adota discurso moderado. De todos os nomes da terceira, Ciro aparentemente é aquele que faria Lula ou Bolsonaro suarem a camisa em um embate de segundo turno. A capacidade de transitar entre a esquerda e a direita, considerando o cenário nacional, é um triunfo e tanto.
João Dória / Eduardo Leite (PSDB) – O fato marcante sobre Dória é que o governador é um nome conhecido em território nacional, o que lhe pesa contra é o fato de que os números de rejeição superam largamente os números de intenção de votos. Já Leite ainda é uma novidade a ser testada em sondagens, pois o governado gaúcho passou apenas recentemente a se expor para os brasileiros. O que une ambos é o fato de que ainda precisam enfrentar a burocracia partidária, o que os torna nomes concorrentes e incertos ainda por um tempo. O PSDB perdeu muito de sua base mais conservadora para o bolsonarismo e não haverá a mesma disposição dos partidos do centrão dessa vez, quando se uniram a Alckmin em 2018.
Outros nomes fortes seria de Sérgio Moro, mas enfrentaria limitações num segundo pois nem toda base popular de Bolsonaro migraria seu volto de forma automática a um candidato de direita, somado ao fato de que há muita rejeição a Moro entre bolsonaristas-raiz.
Nomes sem tanto fôlego
Luiz Mandetta (DEM) – Será mesmo? Mandetta patina nas pesquisas e sua estrutura partidária não convergiu ao lançamento de candidatura própria. No DEM, tudo pode acontecer. Não está claro qual é a base popular que levaria Mandetta a se consolidar como opção viável, a considerar que o democrata fundamentará sua candidatura na questão da pandemia é preciso levar em conta que o candidato tucano, João Dória, coleciona vitórias mais vistosas (vacinas) para se contrapor ao discurso do governo federal.
João Amoêdo (NOVO) – Aparentemente, Amoêdo já não tem a mesma disposição de que seu nome seja cabeça de chapa, são diversas as declarações que apontam nesse sentido. Vencer uma eleição nacional com discurso liberal é uma aposta sonhadora.
Nome de Guilherme Boulos (PSOL) é uma incógnita, apesar de seu sucesso na campanha à prefeitura de São Paulo – agregaria a base do PT certamente, porém dividiria com Ciro Gomes (que tenderia a ser menos rejeitado num segundo turno): há espaço para duas esquerdas num segundo turno? Improvável, no cenário atual não.

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