Fernando Pimenta é bronze na canoagem e Portugal iguala recorde de medalhas em uma edição dos Jogos

Canoísta português conquista segunda medalha Olímpica da carreira em Tóquio 2020 em 2021 no K1 1000m. Brasileiros Isaquias Queiroz e Jacky Godmann ficam na quarta colocação no C2 1000m

Dia de festa em Portugal! O país conquistou seu terceiro pódio em Tóquio 2020 em 2021 com o bronze de Fernando Pimenta no K1 1000m, com tempo de 3:22.478. Além de igualar o seu recorde de medalhas em uma edição dos Jogos Olímpicos (LA 1984 e Atenas 2004), a nação subirá ao seu 27º pódio na história.

Pimenta conquistou sua segunda medalha Olímpica, após a prata em Londres 2012 no K2 1000m com Emanuel Duarte. Com mais de 100 medalhas em competições internacionais, Pimenta decidiu focar totalmente no K1 para Tóquio, ganhando prata e bronze no Europeu e no Mundial deste ano, e colheu o resultado nos Jogos Olímpicos.

As duas primeiras medalhas de Portugal em Tóquio vieram por Jorge Fonseca, no judô, que chegou como favorito ao Japão ganhou o bronze, e por Patrícia Mamona, prata em uma fortíssima prova do salto em distância feminino.

A canoagem portuguesa segue com outras chances em Tóquio. Teresa Portela venceu a final B e acabou no 10º posto no K1 200m e ainda vai competir no K1 500m, prova que também conta com Joana Vasconcelos, e a equipe liderada por Emanuel Duarte disputa o K4 500m.

Desde a semifinal, Pimenta mostrou a que veio, conquistando a melhor marca Olímpica da história (3:22.942) sem ser ameaçado pelos adversários. Na decisão, ele estava na segunda colocação até os 750m, mas terminou atrás do húngaro Belint Kopasz com 3:20.643, a nova melhor marca Olímpica, e de Adam Varga (HUN), com 3:22.431, que o passou no final. Pimenta ficou a apenas sete centésimos da prata.

Mesmo com a prata escapando, Pimenta mostrou por que é um dos grandes atletas portugueses da história. Suas duas medalhas Olímpicas se juntam às nove em Campeonatos Mundiais e 18 em Europeus. Um verdadeiro gênio da canoagem velocidade.

“Acima de tudo sinto-me feliz, os dois húngaros foram mais fortes e mais rápidos. Dei o meu melhor, que é o mais importante. Fiz um ciclo olímpico em que tive em mais medalhas, fui o mais regular. A minha carreira ainda agora começou.”

– Fernando Pimenta à RTP.

A segunda medalha Olímpica da carreira do canoísta de Ponte de Lima, no norte de Portugal, levou o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a emitir nota oficial festejando a conquista para a nação.

Não deu pódio para Isaquias e Jacky

Em uma prova fortíssima, com a melhor marca Olímpica quebrada três vezes durante o dia, o C2 1000m foi vencido pelos cubanos Fernando Jorge Enriquez e Serguey Madrigal, com 3:24:995. Os chineses LIU Hao e ZHENG Pengfei foram surpreendidos e ficaram com a prata, enquanto os experientes alemães Sebastian Brendel e Tim Hecker foram bronze. Os brasileiros Isaquias Queiroz e Jacky Godmann não conseguiram alcançar o pódio e terminaram na quarta colocação.

Na semifinal, Isaquias e Jacky começaram fortes e estavam em primeiro nos 250m e 500m. Os adversários chegaram mais fortes e os brasileiros terminaram a prova em quarto, atrás de Alemanha, Cuba e Canadá. O nível já estava frenético, com as melhores marcas Olímpicas quebradas em sequência pela dupla chinesa e pelos alemães. Na final, os brasileiros tentaram a mesma tática, mas não conseguiram acompanhar os favoritos.

Um dos grandes nomes do Brasil na Rio 2016 com duas pratas e um bronze – tornando-se o primeiro brasileiro a ganhar três medalhas em uma mesma edição – Isaquias Queiroz teve diversas dificuldades no ciclo para Tóquio. A principal foi a perda de seu mentor, o treinador espanhol Jesús Morlan, que fez do baiano um dos melhores canoístas do mundo e faleceu após uma batalha contra o câncer em 2018. Ele também viu a prova em que foi bronze, o C1 200m, sair do programa Olímpico.

Perto dos Jogos, o seu companheiro de sete anos de canoa Erlon Souza, medalhista de prata com ele no C2 1000m, foi cortado de Tóquio 2020 por uma lesão no fêmur. Jacky Godmann, que vem de uma família de canoístas e tem 22 anos, assumiu o seu lugar para fazer sua estreia Olímpica.

Aos prantos, Isaquias não escondeu seu desapontamento. “Pode parecer um discurso repetido, mas a gente sabe o quanto a gente treina. A gente treinou muito, sofremos muito. A gente se matou de trabalhar, todo dia. Foi duro. O Jacky não é porque foram os primeiros Jogos que foi bom, não foi bom, ele sabe. Os outros foram melhores, mas a gente reconhece nosso trabalho”, afirmou o três vezes medalhista Olímpico à TV Globo. “A gente chorou, a gente é brincalhão, a gente trabalha, mas logo vamos rodar a chave, no esporte não há tempo para tristeza. Temos que dar orgulho à nossa nação”, completou.

Agora o foco de Isaquias e Jacky é o C1 1000m, cujas eliminatórias começam no dia 6 de agosto.

Carrington amplia coleção de ouros

A neozelandesa Lisa Carrington conquistou dois ouros nesta segunda, no K1 200m e no K2 500m com Caitlin Regal.

Agora com três ouros consecutivos nos 200m, Carrington também tem um bronze no K1 500m da Rio 2016. E ela quer mais: vai disputar mais duas provas amanhã.

No K1 200m, a espanhola Teresa Portela, de 39 anos, foi a medalha de prata, e o bronze ficou com Emma Jorgensen (DEN).