Senhor Incrível: Darlan Romani é quarto após superar adversidades na pandemia

Brasileiro do arremesso de peso teve COVID-19, viu a família sofrer com a doença, fez cirurgia, precisou improvisar treinamentos no quintal e ficou longe do técnico no último ano

Para a surpresa de absolutamente ninguém, o americano Ryan Crouser é o campeão do arremesso de peso em Tóquio 2020 em 2021, com direito a recorde Olímpico de 23,30m, apenas sete centímetros abaixo de seu recorde mundial. O atleta de 28 anos defendeu o seu título conquistado na Rio 2016. A prata ficou com outro atleta dos EUA, Joe Kovacs, com 22,65m. Já o bronze é do neozelandês Tomas Walsh, com 22,47m.

O brasileiro Darlan Romani, o Senhor Incrível, ficou perto do pódio, mas terminou em quarto lugar. Sua melhor marca foi 21,88m, enquanto todos os medalhistas arremessaram acima de 22 metros.

Aos 30 anos, Romani está na elite do arremesso de peso desde o ciclo Olímpico anterior. O catarinense foi quinto lugar na Rio 2016 e foi eleito o melhor brasileiro do atletismo em 2018 e 2019, ano em que foi campeão pan-americano e quarto lugar no campeonato mundial.

“A história se repete. 2019 e os Jogos do Rio… Os meninos estão de parabéns. Os caras são bons, foi uma excelente competição.”

– Darlan Romani ao SporTV

Apesar da frustração de novamente não conquistar uma medalha Olímpica, Romani é um vitorioso por tudo que precisou superar para chegar competitivo no Japão.

Romani passou por momentos dramáticos durante a pandemia de COVID-19. O vírus atingiu em cheio sua família: seu irmão e sua mãe foram internados com casos graves e ele mesmo teve a doença, perdendo 10kg em duas semanas. No lado esportivo, o impacto também foi enorme. Ele ficou o tempo todo longe de seu treinador, o cubano Justo Navarro, devido às restrições de viagem.

Ainda por cima, o local em que treinava em Bragança Paulista fechou, e Romani precisou improvisar um local de treinamento no quintal da sua casa com material emprestado. Devido à inadequação das condições de treino, ele desenvolveu uma lesão nas costas e passou por uma cirurgia.

“Brasil, pode ter certeza que mais uma vez eu sou quarto, eu não quero isso para minha vida. Se eu dei 200%, agora eu vou dar 300% para ganhar essa medalha [em Paris]”, afirmou Romani, antes de mandar um beijo para sua família.

Durante a prova, Romani ficou o tempo todo na quarta colocação. O brasileiro acertou sua melhor marca na primeira tentativa e buscou o tempo todo os 22 metros, mas o nível da prova estava realmente de outro mundo.

Já Crouser mostrou por que é o melhor do mundo, batendo em suas duas primeiras tentativas o recorde Olímpico e novamente no último arremesso.

EUA e Brasil fora da final do revezamento masculino

O Brasil ficou fora da final dos revezamentos 4x100m tanto no masculino quanto no feminino, prova em que o país tem tradição e três medalhas Olímpicas. O masculino, liderado por Paulo André Camilo, fez o décimo segundo tempo das eliminatórias, e o feminino, com Rosângela Santos, terminou com décimo primeiro tempo.

De forma chocante, os EUA também não disputarão a decisão da prova masculina. Mesmo com Trayvor Brommel, os americanos terminaram em sexto lugar na segunda bateria após um erro na passagem do bastão e o tempo não foi suficiente para garantir a classificação. Liderada por Yohan Blake, a Jamaica passou com o primeiro tempo e tenta manter a hegemonia na prova na era pós-Bolt.