O que se passa no PSDB? Entenda rápido e fácil.

Ler as reportagens sobre o assunto tornou-se tarefa árdua. O imbróglio é imenso. E cada dia que passa, surgem mais falas e alfinetadas.

Compreender o que querem as lideranças do PSDB pode ter se tornado um daqueles desafios de Torre de Babel. Mas vamos simplificar tudo.

Antes de tudo, se você está perdido até mesmo sobre as notícias, aqui vai um resumo.

O PSDB sempre teve candidato à presidência, desde que a democracia brasileira usava fraldas. Na maior parte do tempo, PT e PSDB rivalizaram o jogo. Um puxando mais o eleitorado da esquerda e o outro da direita – nos tempos que não havia PSOL, Bolsonaro e etc. Tornou-se natural especular quem esses partidos lançarão nas eleições.

O PSDB tem dois nomes fortes para a disputa: João Dória, governado de São Paulo, e Eduardo Leite, governador gaúcho. As relações não são das melhores entre os dois. Os filiados foram chamados a cadastrarem-se em um aplicativo para votarem nas prévias, o vencedor tornar-se-ia o candidato do partido para as eleições de 22. Mas o aplicativo não funcionou, o que só colocou gasolina na fogueira.

AGORA, AOS FATOS.

O PSDB tem dois grandes grupos. O grupo pró-Dória e o grupo pró-Leite.

O que quer o grupo pró-Dória. Mais simples de entender, essa fração tucana quer que João Dória seja o candidato à presidência, e é isso. Essa construção nasceu desde a eleição do governador em 2018. Ganhar através de decisão do diretório nacional ou através de aplicativo é secundário; a diferença é que pelo aplicativo, há o verniz mais democrático.

Por isso, o grupo Dória tem pressa na definição. Tempo é um recurso fundamental em política. Uma vez definido, o governador pode começar uma articulação com outras lideranças nacionais. O impasse atual atrasa a vida do governador. Se ele vence, ele é o candidato. Sem mistérios aqui.

O grupo pró-Leite.

Aqui o busílis é mais embaixo. E é aqui que surge o nome de Aécio Neves, para complicar tudo. A vitória de Leite nas prévias não é uma certeza absoluta de que ele seria candidato. Ele pode até querer, mas querer não é poder. O poder é de Aécio nesse caso.

O governador quer ser o candidato, boa parte da militância o quer como candidato. Até mesmo parte da militância do estado de São Paulo. Eduardo é jovem e toda sua estética política contribui para acumular simpatias no partido e na imprensa. Por ser jovem, perder a eleição não seria o pior dos mundos. Com a estrutura partidária nas mãos, Leite ganharia em projeção nacional para o futuro. Esse conto de fadas pode não ser bem assim.

Ocorre que a vitória de Leite nas prévias não torna o cenário tão fácil quanto na opção de vitória de Dória. E sua vitória nas prévias poderia resultar em algo histórico e negativo aos tucanos: pela primeira vez, o PSDB estar fora da disputa presidencial.

Aqui entra o problema. Leite é apoiado por Aécio, cujo interesse maior é usar os recursos partidários para potencializar as campanhas para deputados e senadores. Aécio entende que é melhor aumentar a bancada do partido, e isso implica sacrificar a candidatura presidencial. Os recursos do fundo partidário seriam concentrados nas disputas para o Congresso. A melhor saída para Aécio é fazer Leite ser o vencedor das prévias. Aécio precisa derrotar Dória.

Com Leite eleito e Dória fora do jogo, Aécio pode colocar sua influência junto aos deputados para inviabilizar a candidatura de Leite.

E por Leite aceita Aécio? Porque é o único caminho para conseguir vencer Dória nas prévias, depois disso são outros quinhentos.

Enfim, pra concluir.

O grupo de Dória entende que Leite está apressado e colocará em risco a presença do PSDB nas eleições de 2022. E o terceiro candidato, Arthur Virgílio, passou a concordar com Dória.

Dória entende que, apesar das qualidades de Leite, ele é que tem mais estrutura para viabilizar a vitória do PSDB em 2022; e ele é o único que pode minar as interferências de Aécio.

Leite entende que, apesar de não ter controle da máquina após as prévias e as confusões persistirem, ele tem menos rejeição junto ao eleitorado e pode ser a terceira via ideal.

 Gostando ou não de Dória, sejamos honestos, sua vitória torna a vida do PSDB mais confortável para construir a candidatura presidencial. Se ele ganha as prévias, o partido encerra esse capítulo turbulento.

As candidaturas de Dória ou Leite seriam viáveis no cenário contra Bolsonaro, Lula e Moro? Aí já fica para o próximo capítulo.

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