Representante da Sancetur aparece de ‘surpresa’ na Câmara

A primeira sessão ordinária da Câmara Municipal de Vereadores de Americana foi marcada por duros embates entre vereadores e o representante da empresa Sancetur (Sou Americana), Marcos Cheddid, que opera o transporte público municipal desde 2019.

A contratação da empresa se deu de modo polêmico, lembrou o Vereador Gualter Amado, inicialmente com dispensa de licitação a caráter precário para atendimento da urgência, pelo cancelamento do contrato feito ainda na gestão Omar Najar com a Princesa Tecelã, e renovado diversas vezes sem que fosse realizado processo licitatório, onde a tarifa celebrada era de R$ 4,00.

Rememorando

Antes da Sancetur, o serviço de transporte público municipal era fornecido por duas empresas, a VCA e a Princesa Tecelã.  Problemas diversos na prestação do serviço concessionado motivaram o cancelamento do contrato com ambas empresas ainda na gestão Omar Najar.

Os processos licitatórios foram rejeitados pelo Tribunal de Contas do Estado, forçando novas rodadas de tomada de preços, que atrasavam a escolha e início de uma nova empresa no Município.  Esse fato fez com que a Sancetur fosse contratada emergencialmente para suprir a falta de transporte público, contudo, o chamado “contrato emergencial de 6 meses” foi renovado consecutivamente por 6 vezes, fato ainda sob análise judicial.

Após o último certame, onde a empresa concorreu sozinha, esta impôs uma tarifa de R$ 5,40, ante a tarifa antecessora de R$ 4,00.

Depois de muitas queixas dos munícipes usuários do transporte público e também de vereadores, nas sessões da Câmara, a Prefeitura chamou a empresa para renegociar a tarifa e posicioná-la nos atuais R$ 4,70.

Essa nova tarifa só foi possível com a aceitação de se aprovar um subsídio tarifário, que teve de ser votado em regime de urgência na Câmara, para não deixar o cidadão americanense sem transporte.  Diante disso, a Câmara aprovou em sessões extraordinárias um valor de subsídio pago pelo município no valor de R$ 0,55 por passageiro, limitado a R$ 150 mil por mês.

A sessão dessa quinta-feira

Conforme destacou Gualter, a empresa assumiu inúmeros compromissos com o Município na celebração do contrato, como dispor ônibus novos, a circulação diária de 65 veículos, com ar condicionado, com acesso a deficiente físico, além de manter os funcionários cobradores.

O que se viu foi justamente o contrário ao celebrado para que a empresa tivesse direito à exploração do serviço pelo prazo de 15 anos.  Todos os funcionários cobradores foram demitidos, a empresa está apenas com 54 carros em circulação e esse número chega a apenas 18 aos domingos, os carros não são novos, tem muitos problemas de conservação, constantemente se atrasam, e algumas linhas foram extintas, deixando os usuários sem opção – fato que aconteceu com a linha Zanaga – Hospital Municipal no ápice da pandemia, diga-se de passagem.

O Vereador Marcos Caetano também cobrou da empresa sobre o desrespeito à Lei aprovada na Câmara que obriga a empresa a dispor de frascos com álcool em gel para os passageiros higienizarem as mãos durante a pandemia.  Esse fato foi tranquilamente ignorado pelo representante da empresa que não se constrangeu a reconhecer que não cumpre!

A tarifa elevada

A tarifa cobrada em American não tem nada de barata, ela é superior à cobrada na cidade de São Paulo, para se ter uma comparação. Sendo que a Capital Paulista tem ônibus em melhores condições de serviço, com até 5 anos de uso, ar condicionado operacional, álcool em gel fornecido ao usuário, com funcionários cobradores (e que ainda rodam muito mais que as linhas locais)!

Em Americana, os usuários do transporte público reclamam até mesmo de goteiras e infiltrações nos ônibus em dias chuvosos.

Segundo Cheddid, representante da empresa de transportes, a empresa precisa de um novo reajuste tarifário para compensar as perdas que está tendo na operação das linhas, que, segundo ele, perdeu cerca de 40% do número diário de passageiros durante a pandemia.

O fato, que qualquer um pode comprovar, é que a empresa presta um serviço de baixa qualidade.  Isso sem dizer que se colocar índices de qualidade do serviço em análise ao preço pago pelo munícipe, está desproporcional!  O cidadão americanense merece respeito e a oferta de serviços de qualidade!  Essa situação não pode continuar.

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