Polícia procura dona de escola envolvida em maus-tratos a bebês há 5 dias

Roberta Serme teve a prisão decretada pela Justiça na última terça (22). São investigados crimes de periclitação de vida, submissão a vexame e associação criminosa

 

A Polícia Civil de São Paulo procura a diretora da escolinha particular da Zona Leste que teve a prisão decretada pela Justiça depois que vídeos viralizaram em março, em que mostra crianças amarradas com panos, como se usassem uma “camisa de força”, e chorando dentro de um banheiro da creche .

A diretora Roberta Regina Rossi Serme, de 40 anos, também é uma das donas da Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica, na Vila Formosa. A Justiça decretou a prisão temporária dela por 30 dias na última terça-feira (22) a pedido da Polícia Civil e é considerada foragida.

Além de Roberta, a polícia investiga se a irmã dela, Fernanda Carolina Rossi Serme da Silva, de 37 anos, outra proprietária da Colmeia Mágica, e ao menos uma funcionária têm envolvimento no caso.

A Colmeia Mágica foi fundada em 2000 e atende crianças 0 a 5 anos, do berçário ao ensino infantil. A escola é investigada pela Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) da 8ª Delegacia Seccional por suspeitas de maus-tratos, periclitação de vida, que é colocar a saúde das crianças em risco, submissão delas a vexame ou constrangimento, tortura e associação criminosa.

A polícia recebeu as filmagens por uma pessoa para que fossem apuradas. Não há confirmação de quem gravou os vídeos. A suspeita é de que possa ter sido alguma funcionária da Colmeia Mágica descontente com o que viu.

Professoras ouvidas pela investigação, na condição de testemunha, acusaram Roberta de orientar as educadoras e funcionárias a “embalar” as crianças em lençóis para eles não chorarem. Nos vídeos, elas estão com os braços imobilizados, presas a cadeirinhas de bebês perto de uma privada e embaixo de uma pia.

Pais dos alunos disseram à polícia e a reportagem que os filhos chegavam em casa com machucados após saírem do berçário da escolinha.

Em 2010, uma menina de 3 meses morreu após ter tido uma parada cardíaca na Colmeia Mágica. A morte dela foi confirmada no hospital. O laudo apontou que ela havia engasgado.

Em 2014, a mãe de um menino de 3 anos gravou um vídeo para denunciar Roberta por maus-tratos. O filho da mulher aparece na gravação acusando a diretora de arranhá-lo no rosto.

Roberta e Fernanda já foram ouvidas pela policia e negaram as acusações, disseram que se mostraram surpresas com os vídeos que circulam na web. Os celulares delas foram apreendidos pela investigação para análise no começo de março. Também foram recolhidos lençóis que teriam sido usados para amarrar os bebês. Nesta quinta, a polícia cumpriu um novo mandado judicial de busca e apreensão e apreendeu cadeirinhas infantis. Todo material será periciado.
Para pedir a prisão de Roberta, a polícia argumentou que, além das suspeitas de sua participação ativa, ela estaria planejando fugir, teria retirado materiais de dentro da escola para atrapalhar as investigações e ameaçado funcionárias da escolinha.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), 32 pessoas já foram ouvidas no inquérito. Entre elas 12 pais de alunos e sete funcionários da escolinha, incluindo professoras, empregadas e a própria diretora. Mais 20 pessoas seriam ouvidas nesta semana.