Primeiro trem do monotrilho da linha 17 é apresentado e testes no Brasil devem começar em 2023

O Governo do Estado de São Paulo estima que o primeiro trem da linha 17-Ouro de monotrilho, que terá média capacidade (160 mil pessoas por dia), já circule na zona Sul da capital paulista, a título de testes sem passageiros, no início de 2023.

Na noite desta sexta-feira, 25 de março de 2022, foi feita apresentação da primeira unidade fabricada pela chinesa BYD, no Palácio dos Bandeirantes. Até dezembro de 2023, há a expectativa de entrega total das 14 unidades compradas pela linha, isso se não houver nenhum imprevisto de ordem jurídica, climática ou mesmo técnica.

Até meados de 2024, a linha deve estar em operação.

Somente os trens custaram cerca de R$ 1 bilhão.

Segundo a apresentação, a primeira unidade já está pronta. Foi criada no Parque Industrial BYD em Guang’an, Sichuan, na China uma linha de testes de 800 metros para o trem “cabeça de série”, o primeiro, que logo virá para o Brasil

O governo promete que a linha 17 tenha trens passando a cada 180 segundos.

As portas das composições terão 1,60 m de largura e os trens não terão operadores.

Os veículos ainda terão ventilação de emergência quando necessário, câmeras, intercomunicadores, identificador de incêndio.

Outro item são baterias de tração que geram energia extra e garantem que o trem chegue até a próxima estação, mesmo sem energia na rede para evitar que as composições parem entre uma estação e outra.

Cada composição do novo monotrilho terá ao todo 60,8 metros de comprimento por 3,25 metros de largura. Os trens da BYD Skyrail operam com tração elétrica, sustentadas por pneus que andam sobre vigas de concreto de 80 centímetros de largura. Em seu interior, o trem terá 72 assentos e capacidade de transportar cerca de 600 pessoas em condições confortáveis. Contará também com passagem livre entre os cinco carros, sistema de ar-condicionado e câmeras de monitoramento com gravação de imagens.

O monotrilho Skyrail SP, da BYD, é equipado com:

  1. a) Diversas câmeras;
  2. b) Sistema de combate a incêndios por névoa de água e extintor de pó seco. Cada carro está equipado com um detector de fumaça e um dispositivo de bocal de névoa de água;
  3. c) Sistema de monitoramento da pressão dos pneus. As rodas de cargas, rodas guias e rodas estabilizadoras são equipadas com sensores de pressão dos pneus para monitorar a pressão dos pneus em tempo real;
  4. d) Dispositivo de absorção de energia de impacto com dispositivo antiescalada;
  5. e) Dispositivo de detecção que identifica obstáculos na viga guia.

         

A linha 17-Ouro de monotrilho, sistema de média capacidade, é marcada por atrasos, disputas judiciais e até acidentes nas obras. A ligações deveria ter sido concluída até a Copa do Mundo de Futebol de 2014.

O projeto inicial contemplava 17,7 km com 19 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi, passando por Paraisópolis. O valor orçado em junho de 2010 era de R$ 2,64 bilhões.

Mas agora, a linha só terá 7,7 quilômetros e oito estações entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Morumbi e o custo será em torno de R$ 5 bilhões, com previsão de entrega em 2023

O presidente do Metrô, Silvani Pereira, disse que há intenção do Governo do Estado em levar o sistema de média capacidade para os extremos do projeto inicial, como para as proximidades da favela Alba, na região do Jabaquara, e no outro extremo, na região da favela do Paraisópolis.

A juíza Larissa Kruger Vatzco, da 12ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a realização de perícia para verificar os prejuízos aos cofres públicos que podem ter sido gerados pelas paralisações que ocorreram nas obras do monotrilho da linha 17-Ouro.

A magistrada ainda determinou que a perícia, que será feita por um engenheiro designado no processo, analise mudanças de traçado e possibilidade de omissão do Metrô e do Governo do Estado em relação à paralisação das obras.

O Conselheiro Robson Marinho, do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), solicitou esclarecimentos à Companhia do Metrô sobre os atrasos no contrato assinado em dezembro de 2013 com vistas à implantação do sistema de comunicação móvel de voz e dados para a Linha 17 – Ouro de monotrilho.

O despacho está publicado na edição do Diário Oficial do Estado desta sexta-feira, 25 de março de 2022.

Assinado com a empresa Trans Sistemas de Transportes em 27 de dezembro de 2013, o contrato inicialmente no valor de R$ 73 milhões prevê a elaboração do projeto executivo, fornecimento e implantação do sistema de comunicação móvel de voz e dados, além dos demais sistemas de telecomunicações e controle para o trecho Jardim Aeroporto – Morumbi (CPTM) e Pátio Água Espraiada da Linha 17-Ouro.

Diário do Transporte