A USP se tornou uma ilha de excelência: 11 de seus cursos estão entre os 50 melhores do mundo

Universidade de São Paulo segue como a melhor instituição de ensino superior da América Latina.

Com alto investimento em pesquisa científica, cursos como Odontologia e Medicina Veterinária estão entre os melhores do planeta

Os casos recentes de corrupção no Ministério da Educação e o corte de verbas federais não impediram que a Universidade de São Paulo continuasse a ser uma ilha de excelência no ensino superior brasileiro. Prova disso são os resultados de dois importantes relatórios do setor, um espanhol e outro britânico, que colocaram a USP em lugar de destaque até mesmo na comparação com instituições tradicionais, como a Oxford e o MIT, que costumam ocupar as primeiras posições. De acordo com o novo ranking QS World University, a Universidade de São Paulo possui onze cursos entre os 50 melhores do mundo. O levantamento analisou mais de 1,5 mil instituições de 88 países. Ao todo, 44 áreas da universidade paulista foram classificadas entre as 51 analisadas na lista, divulgada em 8 de abril. Entre as matérias específicas, chama a atenção a posição do curso de Odontologia, que ocupa o 15o lugar.

INOVAÇÃO Transformações tecnológicas: renovação constante eleva a qualidade do curso (Crédito:Cecília Bastos/USP Imagem)

Segundo o professor e coordenador do curso, Giulio Gavini, o segredo do sucesso é a importância atribuída à pesquisa científica. “A Odontologia, um dos cursos mais tradicionais da USP, é centenário e, por isso, se destaca na área de extensão. O atendimento à comunidade é outro fator essencial.” De acordo com Gavini, cerca de 150 mil procedimentos dentários são realizados anualmente pelos alunos, com supervisão dos professores.

“O que poucos sabem é que formamos muitos professores de Odontologia”, explica. Gavini diz que é comum encontrar docentes brasileiros espalhados pelo mundo. “Isso é uma coisa boa e ruim ao mesmo tempo”, completa, lembrando que a fuga de cérebros acaba sendo inevitável. Para o coordenador, um dos maiores desafios da universidade é manter os laboratórios atualizados. “A Odontologia passa por transformações rápidas, as mudanças tecnológicas são constantes. Por isso é importante que esse olhar seja uma preocupação”, afirma.

“A USP consegue se manter relevante graças às lutas da comunidade universitária” Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP

Além de Odontologia, estão na lista dos cinquenta melhores outros cursos da instituição: Engenharia de Minérios e Minas (31o); Engenharia do Petróleo (32o); Geografia (38o); Línguas Modernas (41o); Ciência Veterinária (41o); Antropologia (42o); Arquitetura (44o); Agricultura e Silvicultura (48o); Ciências do Esporte (49o) e Sociologia (49o).

Fora o ranking da QS, a classificação internacional SCImago Institutions Rankings (SIR), avaliação anual feita na Espanha pelo laboratório de pesquisa SCImago Lab, também posiciona a USP entre as melhores do mundo – e como a melhor universidade da América Latina.

CONVIVÊNCIA Vida escolar: as aulas presenciais já voltaram em todos os cursos (Crédito:Marcos Santos/USP Imagens)

Em relação aos dados do ano passado, a USP cresceu quatro posições, ocupando agora o 43o lugar. O curso de Odontologia, dessa vez, ocupa a primeira posição. Seis cursos foram classificados entre os 50 melhores de acordo com o ranking espanhol: Agricultura e Ciências Biológicas, Negócios, Gestão e Contabilidade, Medicina, Medicina Veterinária, Farmacologia, Toxicologia e Ciências Farmacêuticas e Odontologia. Para Giovanna Lemos Bello, aluna do quinto período, ver o curso que ela escolheu no vestibular ser considerado o melhor do planeta é uma honra. “Saber que estou em uma das melhores instituições do mundo é um grande diferencial na minha carreira e um estímulo para continuar estudando”, diz. Aos 21 anos, ela pondera que essas classificações serão muito importantes para o seu currículo.

Para Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP, a universidade se mantém relevante graças às lutas da comunidade universitária, que vem ganhando autonomia de gestão desde os anos 1980. “É graças a essa autonomia que somos capazes de oferecer excelência”, diz. A USP é motivo de orgulho não apenas para seus alunos e professores, mas para todos os brasileiros.