Menino foge de casa e sobrevive a massacre da família, morta pelo pai no RS

O filho de um policial militar aposentado fugiu de casa e sobreviveu a um massacre promovido pelo próprio pai, que assassinou a esposa e um sobrinho adolescente antes de tirar a própria vida em Porto Alegre. O garoto chegou a ser atingido com um tiro de raspão, mas correu e conseguiu receber ajuda de vizinhos do bairro Agronomia.

O caso foi registrado na tarde dessa quinta-feira (28), menos de 24 horas após a polícia iniciar as investigações sobre um crime com características semelhantes que deixou cinco pessoas da mesma família mortas também na capital do Rio Grande do Sul.

“Ele descreveu de forma breve o que aconteceu. Disse que o pai estaria com uma dívida, de R$ 3 mil a R$ 4 mil, deixou uma carta de despedida e acabou executando a mulher, esse adolescente de 14 anos que ele criava, e baleou o filho, mas o filho conseguiu descer e pedir ajuda. Foi socorrido com vida”, afirmou, em coletiva de imprensa, a delegada responsável pelo caso, Isadora Galian.

Segundo a policial, ninguém ouviu os tiros disparados pelo homem porque a rua na qual o crime foi registrado é de grande movimentação. O menino, ensanguentado, desceu do prédio e pediu ajuda a uma guarnição da Brigada Militar.

A polícia disse que a carta deixada pelo homem apontava que a esposa dele não trabalhava e não conseguiria sustentar a família. O material vai passar por perícia.

Uma viatura do Samu foi acionada e levou o garoto para o hospital. O estado de saúde dele não foi divulgado.

A princípio, o caso é investigado como duplo homicídio, homicídio tentado e suicídio. A polícia ainda não sabe qual foi o tipo de arma de fogo utilizado no crime e pode ouvir familiares do homem ainda nesta semana.

Influência?

As motivações do crime ainda são investigadas, mas a polícia não descarta que um caso noticiado ontem tenha inspirado a ação do policial aposentado.

Na manhã de ontem, uma família com cinco integrantes foi encontrada morta dentro de um condomínio de classe média alta no bairro de Santa Tereza, zona sul da cidade.

O delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, que investiga o caso, disse que pelo desenho encontrado, a suspeita é que o homem tenha atirado na esposa, depois na sogra e na mãe, que dormiam no mesmo quarto, e então no filho adolescente, junto ao qual foi encontrado, possivelmente tirando a própria vida.

Ainda, segundo as autoridades, uma sexta moradora, parente de uma das vítimas, estava no andar térreo, teria escutado os tiros e avisado a um funcionário do condomínio, que acionou a polícia. De acordo com o delegado, o homem não teria feito ameaças contra ela no momento do crime. No local, foram apreendidas duas armas longas calibre 12.

“A gente não descarta a possibilidade desse colega da Brigada Militar, aposentado, ter tomado coragem por um caso similar. A gente até evita divulgar casos de suicídio exatamente para não estimular esse tipo de conduta”, afirmou a delegada.

A investigação também trabalha com a possibilidade dos membros da família, com idades entre 14 e 81 anos, tenham sido medicados pelo suspeito, um empresário de 44 anos — que também teria oferecido remédio à sexta moradora da residência, sobrevivente que localizou os corpos.

Centro de Valorização da Vida

Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.