Saúde está no corpo. Saúde está no cuidado. Saúde está na boca

O cuidado com a saúde bucal reflete diretamente no cuidado com o corpo!

A boca desenvolve um papel importante no corpo do ser humano, principalmente quando se trata de saúde. De acordo com o cirurgião-dentista Dr. Paulo Sergio Santos, doutor em Patologia Bucal e Livre Docente em Estomatologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (USP), a boca é a porta de entrada de muitas doenças e, por ela, o indivíduo sabe se seu corpo está em bom funcionamento ou não, sendo assim, a saúde bucal tem influência direta com a saúde do corpo.

O aparecimento de doenças bucais pode ser reflexo de alguma doença do corpo, ou mesmo a alteração da boca pode levar a alguma doença sistêmica, principalmente as inflamações gengivais. “Infecções que começam na boca podem se disseminar pelo corpo. Por exemplo, se há uma infecção/inflamação na gengiva, essa inflamação pode ser carregada pelo sangue para outras regiões. As doenças gengivais são silenciosas e quando o indivíduo percebe a doença, já há um comprometimento grande”, diz Dr. Sérgio.

Além das doenças na gengiva, outro ponto são as infecções oportunistas, que estão relacionadas a fungos e vírus e acometem as pessoas quando há queda de imunidade, isso favorece o aparecimento de microrganismos que podem se alastrar pelo corpo, como o vírus da herpes.

A cirurgiã-dentista Dra. Fernanda Carrer, mestre em Patologia Bucal e doutora em Ciências Odontológicas pela USP, diz que o indivíduo precisa olhar a boca como um todo. “Geralmente vemos a boca como dente e gengiva, no máximo. Mas, tem a língua, a bochecha, o céu da boca e a garganta. Todas essas mucosas que revestem a boca (tecidos moles) podem ficar doentes também”, alerta.

Doenças bucais podem agravar doenças autoimunes

Algumas doenças autoimunes podem ter repercussão na boca, seja por conta dos efeitos colaterais dos remédios, seja por conta da imunidade comprometida.

Para ilustrar como a boca interfere na saúde de todo o corpo, o Dr. Sergio relatou um caso recente que atendeu, em que o paciente conseguiu controlar o diabetes tratando de um abscesso dentário.

“O paciente tinha um abscesso dentário (uma infecção dentária) com início em cárie dentária, que evoluiu para uma infecção endodôntica (canal), e foi para o osso, provocando uma infecção grave. Esse paciente era diabético e estava muito descompensado. Ao trabalhar em conjunto com a equipe médica, ajustando os medicamentos, conseguimos fazer a extração do dente comprometido e drenagem do abscesso. Dois dias depois, havia melhora significativa do diabetes, estabilizando o paciente, o que permitiu progresso no controle do diabetes pela equipe médica”, compartilhou o doutor.

Câncer: pacientes precisam de atendimento especializado

Pacientes em tratamento de câncer (seja na boca ou em outra região do corpo) precisam de atendimento odontológico especializado. Atualmente, as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) e o Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) fazem acompanhamentos odontológicos.

Em tratamentos de quimio e radioterapia, os pacientes são assistidos pelo cirurgião-dentista e, em alguns casos, o profissional precisa tratar de lesões na boca, um efeito colateral desses procedimentos, diz a Dra. Fernanda Carrer.

Outra atenção dos cirurgiões-dentistas são os cânceres bucais, que geralmente são causados pelo excesso de álcool e tabaco e atingem cerca de 15 mil pessoas por ano, principalmente homens com 50 anos ou mais, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer – INCA. Porém, na última década esse câncer tem acometido pessoas com idade e entre 17 e 35 anos, por estar relacionado a uma doença sexualmente transmissível, o papilomavírus humano, conforme alerta Dr. Paulo Sergio.

Prevenção, vulnerabilidade social e doenças bucais

Escovar os dentes após as refeições e fazer consultas regulares com o cirurgião-dentista são métodos importantes de prevenção das patologias bucais. A Dra. Fernanda reforça que iniciar a higiene da boca desde criança é fundamental. “Manter uma regularidade na escovação com uso de creme dental fluoretado, desde as primeiras erupções dos dentes das crianças, previne contra as doenças mais comuns: a cárie e as doenças periodontais”, diz.

Além disso, a questão social é, também, determinante para as doenças bucais, principalmente essas mais comuns, como explica a cirurgiã-dentista: “tem estudos que mostram isso vastamente, por exemplo, crianças que têm mais cáries estão associadas a mães com menos escolaridade. O paciente com mais vulnerabilidade social morre de câncer de boca porque descobre mais tarde e têm menos acesso aos serviços de cuidados com a saúde”, diz.

A Dra. Fernanda reforça o quão importante é o governo, seja federal, estadual ou municipal, investir em Políticas Públicas que garantam o acesso dessas pessoas ao tratamento dentário.

Campanha Saúde tá no corpo. Saúde tá no cuidado. Saúde tá na boca”

No mês de abril, o CROSP elaborou a campanha “Saúde tá no corpo. Saúde tá no cuidado. Saúde tá na boca”. Por meio dela, pretende impactar o público geral sobre o papel determinante que a saúde da boca desempenha no organismo e como isso se reflete na qualidade de vida.

Para isso, as peças publicitárias colocam o paciente como protagonista e adicionam, ainda, um brilho aos personagens da campanha, reforçando a ideia da importância de cada cidadão para os profissionais da Odontologia. Tópicos como alimentação, escovação e visitas regulares ao cirurgião-dentista serão abordados com ênfase durante o mês.