Comissão convida ministro da Defesa para explicar compra de Viagra

Parlamentares também querem esclarecimentos sobre aquisição de próteses penianas e apuração paralela das eleições

Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 4, um convite ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para que ele dê explicações sobre a compra de Viagra e próteses penianas pelas Forças Armadas. O requerimento foi protocolado pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO).

Os parlamentares também querem que o chefe da pasta explique a sugestão feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para que os militares façam uma “apuração paralela” nas eleições deste ano.

Por se tratar de um convite, e não de uma convocação, o ministro não é obrigado a ir. Entretanto, a liderança do governo sugeriu que Paulo Sérgio Nogueira compareça à comissão em 8 de junho.

O órgão também aprovou convites para ouvir os ministros Victor Godoy (Educação), Marcelo Queiroga (Saúde) e Fábio Faria (Comunicações) sobre outros temas. Um acordo feito pelos membros da comissão transformou a convocação em convite.

Viagra

No mês passado, o deputado Elias Vaz (PSB-GO) divulgou a compra de mais de 35 mil comprimidos do remédio Viagra pelas Forças Armadas. Na época, o ministério da Defesa alegou que “os processos de compras das Forças Armadas são transparentes e obedecem aos princípios constitucionais” e que o medicamento é usado para o tratamento de hipertensão pulmonar.

O vice-presidente, Hamilton Mourão (Republicanos), alegou que a compra seria para os militares aposentados. “Nós temos farmácias. A farmácia vende medicamentos. E o medicamento é comprado com recursos do fundo”, afirmou. “Então, tem o velhinho aqui [aponta para si próprio]. Eu não posso usar o meu Viagra, pô? O que são 35 mil comprimidos de Viagra para 110 mil velhinhos que tem? Não é nada”.

O caso foi parar no Tribunal de Contas da União, que irá investigar a aquisição feita pelas Forças Armadas.

Próteses

A Defesa também deverá esclarecer a compra de 60 próteses penianas infláveis feitas pelo Exército Brasileiro (EB). Pregões de 2020 e de 2021 mostram que foram gastos quase R$ 3,5 milhões na aquisição.

Na ocasião, o Exército informou que somente três próteses penianas foram adquiridas em 2021 “para cirurgias de usuários do Fundo de Saúde do Exército”.

“A quantidade de 60 (sessenta) representa a estimativa constante na ata de registro de preços e não efetivamente o que foi empenhado, liquidado e pago pelas Organizações Militares de Saúde”, alegou o EB.

Revista Oeste