Fiocruz fecha acordo com MSD para produzir remédio contra covid-19

Em parceria com farmacêutica norte-americana, o medicamento reduziu os casos de hospitalizações e mortes nos pacientes adultos, segundo a Anvisa

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou nesta quinta-feira, 05, que assinou um acordo de cooperação com a farmacêutica norte-americana Merck Sharp & Dohme (MSD) para a produção do Molnupiravir, o primeiro remédio oral contra a covid-19. O medicamento foi aprovado para uso ontem (4) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A Fiocruz será responsável pela armazenagem, rotulagem, embalagem, testagem, administração, liberação, importação e fornecimento do Monupiravir para o Sistema Único de Saúde (SUS). Já a MSD deve monitorar e acompanhar o desenvolvimento das etapas para transferência parcial de tecnologia ao instituto brasileiro, assim como prestar assistência em todo o processo.

“A gente estima que, após a incorporação pelo SUS, em quatro a seis semanas o medicamento deve começar a chegar ao Brasil. Desta forma, até o fim deste semestre, esperamos que os pacientes comecem a ser tratados com o remédio”, afirmou Mário Ferrari, diretor da unidade de negócios de Infectologia da farmacêutica dos EUA.

A Anvisa afirmou que o medicamento reduziu os casos de hospitalizações e mortes nos pacientes adultos leves e moderados. Em casos de uso domiciliar, o Monupiravir diminuiu as chances do vírus Sars-CoV-2 se multiplicar e reproduzir no organismo.

Atualmente, o remédio está em uso em pelo menos trinta países e já foi aprovado nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Europa, no Japão e na Austrália. Em março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou “recomendação condicional” para o fármaco.

Quem pode tomar

De acordo com a Anvisa, o novo remédio em cápsulas controlado pela Fiocruz é indicado para pacientes adultos com maiores riscos de desenvolver doenças graves com a covid-19, mas que não requerem oxigênio suplementar. O Molnupiravir é contraindicado para gestantes e menores de 18 anos.

“Esse é um medicamento de aplicação bastante específica, que demandará monitorização constante e que, portanto, não se trata de nenhuma panaceia de uso amplo e irrestrito no caso da pandemia de Covid-19, onde a vacina se impõe como carro-chefe”, informou o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres.

Revista Oeste