Em São Paulo, operação da polícia mira traficantes na cracolândia

São cumpridos 36 mandados de prisão

A polícia de São Paulo está realizando uma megaoperação contra o tráfico de drogas na Praça Princesa Isabel, no centro da capital, apontada como novo local da cracolândia.

A operação começou por volta das 4 horas. O objetivo, segundo a polícia, é cumprir 36 mandados de prisão e retirar da região as barracas de usuários de drogas. Participam da ação 650 oficiais.

Há efetivo também na Praça Júlio Prestes, para impedir a volta dos usuários à antiga cracolândia. O local foi esvaziado em março, mas os usuários de drogas migraram para a Praça Princesa Isabel.

“Um trabalho de Inteligência identificou os traficantes, que foram filmados, e isso serviu de base para a Justiça decretar os mandados de prisão”, disse o delegado Roberto Monteiro.

“Hoje, na verdade, essas barracas são utilizadas para encobrir o tráfico. Todas as barracas serão tiradas, porque elas não são utilizadas para moradia, mas, sim, para guardar droga e encobrir o tráfico”, disse o delegado Severino Pereira de Vasconcelos.

Segundo a prefeitura, a orientação é encaminhar os usuários para a Rua General Rondon, perpendicular à praça, onde estão posicionadas as equipes de assistentes sociais. Serão oferecidas vagas nas unidades do Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica.

A nova cracolândia

Desde a transferência da cracolândia principal, quem passa pela Praça Princesa Isabel depara com uma aglomeração de gente consumindo drogas a céu aberto. O cenário é desolador: restos de comida no chão (de marmitas entregues por ONGs, como a do padre Júlio Lancellotti), barracas, um forte odor de excrementos humanos e entorpecentes. No início desta semana, a prefeitura iniciou “ações de zeladoria” e retirou 35 toneladas de lixo do local, incluindo madeiras usadas na confecção de moradias improvisadas. Exceto as barracas onde as drogas são vendidas. Apesar da iniciativa, a nova cracolândia permanece e as “casas” voltaram a ser erguidas assim que os agentes públicos deixaram o local.

O dia a dia dos moradores nos arredores da Praça Princesa Isabel, que já era difícil em razão da antiga cracolândia, localizada a poucos metros dali, se tornou infernal. A corretora de imóveis Marina Martins, de 57 anos, mora há 20 no local. Quando chegou do sul de Minas Gerais, lembra que a praça era um local limpo, colorido, com feiras de artesanato aos fins de semana e reduto de lazer para os moradores. “Minha filha aprendeu a andar de bicicleta ali”, recordou. “Hoje, é impossível imaginar uma criança andando de bicicleta naquele local. Para sair de casa, tem de tomar cuidado. Logo pela manhã, há dependentes químicos com pedaços de pau na mão, garrafas, entre outros objetos, que intimidam as pessoas. Nossa vida aqui, que já não era fácil, se tornou o apocalipse.”

Revista Oeste