Números mostram cenário eleitoral apertado e grande incógnita para São Paulo

A pesquisa Genial/ Quaest, realizada com 1640 pessoas entre 6 e 9 maio, com números que podem ser conferidos ao final da matéria, traz um cenário apertado para a disputa eleitoral ao governo do estado de São Paulo.

Isolado em primeiro lugar em todos os cenários e com vitórias até mesmo no segundo turno, Fernando Haddad parece ser a maior oportunidade de o PT chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Se considerássemos apenas este fator, poderíamos dizer que o petista se estabeleceu num patamar estável e muito confortável, já que diversos institutos há meses apontam esse cenário. Porém, cada candidato apresenta números que precisam ser vistos com mais profundidade; os prós e contras podem mudar a percepção da análise.

No caso de Haddad, apesar da dianteira, ele é também o candidato com maior rejeição, 50%. É um nível de rejeição muito alto e que oferece um teto baixo, pouca margem para expansão da candidatura. E esses números são pouco mutáveis, já que Haddad é um candidato muito conhecido (apenas 11% desconhecem). Haddad pode vencer a disputa em segundo turno com a ajuda dos votos nulos e brancos. A conta é simples, entre o eleitor votar em seu adversário ou nulo, é melhor, para Haddad, que as pessoas também não estejam tão dispostas assim a votar em Tarcísio ou Garcia. De qualquer forma, a história das pesquisas eleitorais estaduais sempre conferiram números aquém dos constatados em urna aos candidatos do PT – de fato, essa é uma eleição com grandes chances de vitória do petismo.

Márcia França é incógnita, pois não se sabe se o pré-candidato do PSB irá desistir da disputa em apoio ao PT. Bem posicionado em segundo lugar, França perderia para Haddad num eventual segundo turno. Mas aí precisamos olhar com atenção: 36% não conhecem França, e apenas 31% o rejeitam. Os números agora são desfavoráveis ao ex-governador, porém, matematicamente, o cenário lhe é favorável numa disputa com Haddad.

Outra incógnita é Tarcísio, com pontuação menor. Iniciando com 10%, muitos poderiam dizer que o candidato bolsonarista começou mal. Ao contrário, sua rejeição é baixíssima (14%). E alguns poderiam dizer que ela subiria ao ser associado ao Bolsonaro, o que pode ser verdade em partes, mas seu patrimônio eleitoral na pesquisa alcança 28% quando é colocado como candidato de Bolsonaro – um salto de quase 300%.

O atual governador, Rodrigo Garcia, também busca a reeleição. De toda série histórica com tucanos, Garcia é o que se mostra menos forte nesse momento. Mas temos duas questões: desde o momento que sucedeu Dória, o candidato à reeleição tem mostrado crescimento e estabilidade, sua rejeição é bem baixa (17%). A rejeição baixa é boa, mas pode ser explicada pelo fato de 70% dos paulistas desconhecerem o candidato (70%) – então é outra grande incógnita à vista. Ter a máquina estadual em mãos pode ser um trufo, porque o candidato precisa justamente disso, tornar-se mais conhecido – e, à medida que isso acontece, as intenções de voto aumentam.

Neste momento é prematuro indicar qual dos quatro candidatos está realmente em boas ou más condições na disputa. Há um jogo extremamente equilibrado em São Paulo.

 

Os números abaixos foram publicados pela CNN Brasil.

 

Primeiro turno

Intenção de voto estimulada para governador de São Paulo

 

Cenário 1

Fernando Haddad (PT) – 30%

Márcio França (PSB) – 17%

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 10%

Rodrigo Garcia (PSDB) – 5%

Felicio Ramuth (PSD) – 1%

Elvis Cezar (PDT) – 1%

Vinicius Poit (Novo) – 1%

Gabriel Colombo (PCB) – 1%

Altino Junior (PSTU) – 1%

Abraham Weintraub (PMB) – 1%

Branco/Nulo/Não vai votar – 19%

Indecisos – 14%

Cenário 2

Fernando Haddad (PT) – 37%

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 12%

Rodrigo Garcia (PSDB) – 8%

Felicio Ramuth (PSD) – 2%

Vinicius Poit (Novo) – 2%

Branco/Nulo/Não vai votar – 26%

Indecisos – 13%

Cenário 3

Márcio França (PSB) – 29%

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 12%

Rodrigo Garcia (PSDB) – 9%

Vinicius Poit (Novo) – 3%

Felicio Ramuth (PSD) – 2%

Branco/Nulo/Não vai votar – 30%

Indecisos – 15%

Cenário 4

Fernando Haddad (PT) – 39%

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 14%

Rodrigo Garcia (PSDB) – 9%

Branco/Nulo/Não vai votar – 25%

Indecisos – 13%

 

Segundo turno

 

Intenção de voto estimulada para governador de São Paulo

 

Cenário 1

Fernando Haddad (PT) – 38%

Márcio França (PSB) – 32%

Branco/Nulo/Não vai votar – 19%

Indecisos – 10%

Cenário 2

Fernando Haddad (PT) – 45%

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 23%

Branco/Nulo/Não vai votar – 22%

Indecisos – 10%

Cenário 3

Fernando Haddad (PT) – 44%

Rodrigo Garcia (PSDB) – 21%

Branco/Nulo/Não vai votar – 25%

Indecisos – 10%

Cenário 4

Márcio França (PSB) – 42%

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 20%

Branco/Nulo/Não vai votar – 25%

Indecisos – 14%

Cenário 5

Márcio França (PSB) – 41%

Rodrigo Garcia (PSDB) – 18%

Branco/Nulo/Não vai votar – 28%

Indecisos – 13%

Cenário 6

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 23%

Rodrigo Garcia (PSDB) – 23%

Branco/Nulo/Não vai votar – 37%

Indecisos – 17%

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