Pele dos idosos merece cuidados ainda mais especiais no inverno

Menopausa e outras decorrências do envelhecimento alteram as condições e o aspecto da pele, que requer atenção redobrada nos dias frios da nova estação

As frentes frias dos últimos meses oferecem uma prévia do que esperar no inverno deste ano. Para a nova estação que se inicia na próxima terça-feira (21/06), estudos meteorológicos preveem frio frequente, com duas ou três massas polares gerando efetivamente ondas geladas pelo País. Mas, independentemente da oscilação dos termômetros, o que importa para médicos e especialistas em bem-estar é manter cuidados constantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), com a estação fria há um acréscimo de 30% nos problemas de saúde. Nestas estatísticas, os idosos são prioritariamente afetados e, por isso, merecem atenção redobrada.

Hidratação, alimentação balanceada e adequada às baixas temperaturas, manutenção das atividades físicas, mesmo com manhãs geladas e convidativas a permanecer sob as cobertas, uso de roupas quentes, que propiciem conforto e liberdade de movimentos, são condições que ajudam o idoso a atravessar o inverno sem prejuízos para a saúde.

A todos estes cuidados, especialistas destacam a atenção que a pessoa idosa deve ter com a pele que, na estação fria, ressente-se mais intensamente com o ressecamento e a diminuição da oleosidade.

“Nesta etapa da vida, há naturalmente um desequilíbrio hormonal que contribui para o aparecimento de acnes”, observa o dermatologista Dário Rosa. “No caso das mulheres, o que se nota também é o aparecimento de pelos grossos sob o queixo e nas laterais da face”, completa.

A dermatologista Anelise Dutra lembra que o período que segue a menopausa é caracterizado pela diminuição das fibras de colágeno. “Esse déficit chega a um ritmo de 2% ao ano”, explica. A velocidade deste declínio, destaca, pode se associar a fatores como poluição, fumo, álcool, má nutrição, constituição genética e metabolismo.

Os especialistas são unânimes quando apontam a exposição ao sol como um adversário implacável para os idosos. “Não é porque vamos entrar no inverno que a pessoa mais velha deve deixar de se proteger com filtros solares adequados a cada pele”, indica Rosa.

“Nos dias frios, temos a tendência de procurar o sol para nos aquecer. Mas no caso dos idosos, o tempo excessivo sem proteção aos raios solares pode favorecer o aparecimento ou aumentar as manchas, as rugas e a fragilidade da pele”, diz Anelise. A dermatologista destaca que nos antebraços há a tendência de afinamento da pele associado a manchas roxas e mesmo feridas.

Os banhos quentes também devem ser evitados pelos idosos no inverno. Na estação fria, o hábito de demorar-se no chuveiro interfere drasticamente na saúde da pele. Um dos problemas imediatos é a diminuição da barreira hidrolipídica, um hidratante natural produzido pelo organismo que evita o ressecamento da pele. Como consequência, há descamação, coceira, aparecimento de manchas vermelhas e o surgimento de doenças dermatológicas. O médico Dário Rosa recomenda banhos curtos e mornos, sem o uso de bucha. “E a aplicação de hidratante é indicada nos primeiros minutos pós-banho”, reforça.

Os cuidados cotidianos, que devem começar nas primeiras horas da manhã, surtem efeitos ainda mais benéficos quando associados a procedimentos dermatológicos que contribuem para o bem-estar e a melhoria da autoestima de quem está envelhecendo. Para manter o aspecto saudável da pele, Anelise e Rosa citam entre vários procedimentos os peelings, a aplicação de toxina botulínica, o preenchimento com ácido hialurônico, o laser de CO2 e o ultrassom microfocado.

A avaliação de um dermatologista é fundamental para a indicação do melhor procedimento a cada tipo de pele e necessidade. “Para o idoso, em especial, é importante saber que os tratamentos são realizados com recursos dermatológicos cada vez mais aprimorados. E tudo isso em nome de uma pele saudável em qualquer estação do ano”, finaliza Anelise Dutra.