Junho Laranja: oncohematologista reforça por que a doação de sangue é tão importante para os pacientes com leucemia

As plaquetas são aliadas essenciais que contribuem na melhora de milhares de pacientes; Especialista explica como o procedimento é realizado e quem pode doar

Durante o mês, Junho Laranja vem para alertar sobre um assunto pra lá de importante: a leucemia. Como uma maneira de conscientização, a campanha reforça os cuidados, diagnóstico precoce e ainda o tratamento adequado para a doença, que é considerada um tipo raro de câncer.

No entanto, um assunto ainda pouco comentado é a relevância da doação de sangue para pacientes com leucemia, em quimioterapia ou ainda os que já passaram por transplantes de medula óssea.

Na leucemia, o câncer atinge os leucócitos (os glóbulos brancos — de defesa do organismo). “Na medula óssea são produzidos os glóbulos brancos, vermelhos (hemácias) e plaquetas. Quando há uma mutação genética, essa produção é afetada, resultando em leucócitos cancerosos”, explica a oncohematologista da Oncoclínicas São Paulo, Dra. Mariana Oliveira.

Após a doação de sangue, que ocorre de maneira tradicional, o sangue é transferido para um equipamento que retém parte das plaquetas. Em seguida, o restante volta para o doador, inclusive com todos os outros elementos presentes. “Esse processo é seguro e pode contribuir no tratamento de milhares de pacientes”, reforça a oncohematologista.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 5.920 novos casos de leucemia em homens e 4.890 em mulheres no triênio 2020-2022 a cada ano. Apesar de ser altamente curável, ele é o quinto tipo de câncer mais prevalente na região Norte do Brasil, sétimo no Nordeste, décimo no Sul e décimo-primeiro no Sudeste e no Centro-Oeste.

Por que é importante doar plaquetas?

Nos pacientes, as plaquetas são elementos que têm o objetivo de atuar na coagulação, ou seja, podem ajudar no controle de sangramentos. “O organismo do doador consegue repor rapidamente as plaquetas, em uma média de até 48 horas”, comenta a Dra. Mariana Oliveira.

Além disso, a médica reforça que uma contagem baixa de plaquetas pode impactar nos ciclos de quimioterapia e no tratamento do paciente como um todo. “Quando esses números são baixos, podem resultar em sangramentos e hematomas. A partir do recebimento das plaquetas, há um bloqueio na produção dessas células do sangue”, explica.

Mesmo sendo um procedimento simples, muitas pessoas ainda têm receio em fazer a doação, seja por medo ou até mesmo desconhecimento. “Essa apreensão é natural, mas é fundamental que a cada dia isso seja desmistificado. É muito importante que as doações aumentem para que possamos atender o maior número possível de pacientes”, reforça a oncohematologista da Oncoclínicas São Paulo.

Para doar plaquetas é necessário:

  • Ter entre 18 e 69 anos
  • Pesar mais que 50kg
  • Estar em boas condições de saúde
  • Não fazer uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios

“Vale lembrar ainda que é fundamental o doador estar bem alimentado e evitar refeições gordurosas. Se houverem sintomas gripais, febre e diarreia, não é possível realizar a doação temporariamente, assim como pessoas que fizeram ingestão de bebida alcoólica no dia da doação, grávidas e mulheres com até três meses após o parto”, diz a oncohematologista.

Como funciona o tratamento para leucemia?

Logo de cara, quando se fala em leucemia, é quase inevitável pensar no transplante de medula óssea. Mas, ela é muito mais ampla do que os casos que realmente necessitam desse procedimento. Em muitos pacientes, o tratamento pode ser medicamentoso ao longo de toda vida, ou ainda a partir da própria quimioterapia, capaz de eliminar a doença.

“Isso dependerá de cada caso. Como existem muitos tipos de leucócitos, temos também diversos tipos de leucemias”, explica Mariana. Podendo ser agudas (leucemia linfóide aguda e leucemia mieloide aguda) ou crônicas (leucemia linfocítica crônica e leucemia mieloide crônica), elas são definidas da seguinte maneira:

  • Leucemias agudas: necessitam de internação, exames de classificação e testes da medula óssea para a escolha da quimioterapia adequada ao paciente. Geralmente, a multiplicação das células mutadas é rápida e é mais comum em crianças.
  • Leucemias crônicas: possui um desenvolvimento lento e pode acompanhar o paciente ao longo de toda a vida, sem maiores complicações. Na maioria dos casos é mais comum em adultos e seu tratamento é realizado com consultas de rotina e prescrição de remédios.

“Temos que lembrar que os avanços nos tratamentos tiveram um salto importantíssimo. Um deles é a terapia car-t cell, em que os linfócitos do tipo T são tratados em laboratório para que possam analisar e reconhecer as células cancerosas, eliminando-as”, comenta Mariana Oliveira.

Além disso, a leucemia possui altas chances de cura, podendo chegar em até 90%, no caso das crianças, e 50% em pessoas até 60 anos. “Apesar de não existir cura para alguns casos da doença, os tratamentos são eficazes para oferecer uma maior expectativa e qualidade de vida. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para o controle da leucemia”, finaliza.